quarta-feira, 13 de maio de 2026

AUTOPSICOGRAFIA (1932) - Fernando Pessoa

 
AUTOPSICOGRAFIA
 
O poeta é um fingidor
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
 
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
 
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.
 
 
 

 


 

1 comentário:

" R y k @ r d o " disse...

Bom dia:- Fernando Pessoa foi um poeta brilhante. Amo ler os seus poemas. Grato pela gentil partilha.
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Saudações poéticas
.
“” Feliz momento ““
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