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quinta-feira, 17 de novembro de 2022

Encontros predestinados




Estava deitada na areia frente ao mar, meu telemóvel nas mãos, fazendo algumas pesquisas, lendo algumas notícias e olhando pelas últimas fotos feitas naquele sítio paradisíaco. 
Quando uma senhora perguntou se não me importava de ela se pôr ao lado de mim, é verdade que a praia estava vazia e podia ir instalar-se mais longe. 
Eu ali na minha solidão, escutando as ondas do mar e sentindo os raios de sol acariciar minha pele. 
A primeira pergunta é sempre se somos dali, pois só pode ser. Eu sou dali sem o ser e ela igual, duas emigrantes de férias na Nazaré e quase nas mesmas idades.
 Quando assim é, torna-se mais simples de conversar. Ela misturando palavras de inglês e eu de francês conseguimos nos entender perfeitamente.
 Depois temos o mesmo sentir sobre muitas coisas. Coisas que prefiro não detalhar aqui. Tem muita a ver com a maneira de as pessoas viverem em Portugal, e também sobre nossas vidas que se parecem em alguns pontos de vista. 
Por vezes conversando com ela, tinha a sensação de estar a falar para mim num espelho. 
Acabamos por achar que não foi por acaso que nos encontramos, foi a vida que nos meteu em contacto. 
Nas nossas vidas encontramos pessoas que estavam destinadas. 
O destino ?

domingo, 28 de novembro de 2021

Ela levava nos seus ombros um peso enorme....



 

Ela levava nas   mãos tudo o que tinha na vida. Numa das minhas caminhadas aqui à volta do bairro onde vivo, ia uma mulher à minha frente. Quem a visse podia pensar que vinha das compras com seus sacos cheios. Tinha três sacos não muito grandes. Ela era magra com calça de jean, um casaco de lã maior que outro casaco que tinha por cima e a agasalhava mais do frio. Umas botas pretas altas cobriam-lhe a perna toda até o joelho. Enquanto ia atrás dela pensei no que ela podia estar a pensar. E fiquei triste. Ela ia dum passo seguro, para não mostrar que não tinha para onde ir. Só a vi de costas. Ela levava nos seus ombros um peso enorme duma vida não vivida, de sonhos não realizados, dum futuro cinzento e incerto. Com o tempo a arrefecer espero que ela encontre algum sítio quente para  se aquecer. Alguém que lhe dê uma bebida ou uma sopa e a ajude a sair da rua. Desejo que consiga de novo reencontrar um pouco da sua vida.


sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021

Tempo de pandemia



O tempo voa, já estamos quase na primavera e quase um ano de pandemia sem ver o fundo do túnel. As férias de verão estão quase à porta, sem saber o que e como fazer. A verdade é que não sei, não sei mesmo se consigo passar mais um ano sem ir a Portugal. Não sei se vou conseguir passar mais um ano sem ver meus filhos. Não sei mesmo. Não estou preparada para isso. 

Preciso de sentir a maresia do meu mar
preciso de ir até as minhas raízes
Quero abraçar minha mãe, meus filhos e netinhos
conversar, conviver com eles

Que vida triste esta que temos ! 
uma vida sem sorrisos, sem gosto...
Estamos cada vez mais sem liberdade

Até quando ? 

 

domingo, 27 de dezembro de 2020

Um dia sem ti

 



Um dia sem ti

é como um dia sem luz
uma noite sem luar

é simplesmente 
solidão e tristeza
de não te ver,
não te tocar

teu abraço  envolvendo-me
junto a ti
teu beijo tão doce 
cheio de amor
Tuas palavras que tocam
a alma e coração.

Um dia sem ti
é uma eternidade
sem fim

Helena

domingo, 25 de outubro de 2020

Mudança de hora




 


Como todos os  anos, duas vezes, muda a hora. Uma vez para trás, outra vez para a frente. A primeira vez em França aconteceu em 1976. E em 2021 devia ser a última vez. Mas parece que irá continuar até um acordo entre os países.

Hoje mudou a hora e as 17 horas já estava a anoitecer. Os dias ficaram ainda mais curtos, menos luz, menos sol. Está bom para hibernar. Com o frio, a chuva, a neve e o gelo a chegar estamos a caminho de muitos dias em casa. 

Com este mau tempo, penso nos sem-abrigos, sem tecto, sem aquecimento, na rua, num banco público, debaixo dum caixote de papelão para se abrigar, sem comida, sem condições sanitárias, sem nada. Pessoas como nós,  sem ter o mínimo para poder viver com dignidade. E o lado disso vejo leis para proteger os animais, o que acho muito bem; mas deveriam se preocupar mais com as pessoas com poucos recursos, idosos, sem emprego, doentes, mulheres criando sozinha os filhos, precários, educação, saúde, habitação com condições.

Precisando de ajudas do estado para sobreviver, precisando do trabalho precário, aceitam tudo sem criticar, não dizem não. Não podem dizer "não". Mesmo se o mínimo que recebem não chega, sempre é melhor que nada. 
Só que não deveria assim ser; é intolerável aceitar ser remuneradas com migalhas. 

E o lado disso pessoas recebem milhões. 

Dois "mundos" diferentes coabitam neste país. 

quarta-feira, 21 de outubro de 2020

pandemia e novas tecnologias 

 


Vivemos uma época difícil. Evitamos de estar em família. 

Os filhos têm medo de visitar os pais. Os pais têm medo de receber os filhos. 

O vírus circula bastante nesta região e em todo o país. 

O positivo são as novas tecnologias, com as quais podemos falar e ver nossos filhos e netinhos. Uma maneira de ter uns bons momentos. 

Hoje foi meu netinho de quatro anos a perguntar quando é que ele podia vir ver o avô e a avó.

Compreendo melhor o mal que é feito nos lares, quando as famílias passam semanas e semanas sem se visitar....é simplesmente horrível, deprimente...

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Encontros....

Estava sentada na areia, no cantinho das Sereias, olhando para o mar. Era meu ultimo dia de ferias. De manhã fui de taxi despedir-me da minha mãe. Vive numa aldeia a poucos km. No dia antes devido aos fogos foi impossivel lá ir, as estradas estavam cortadas. O meio dia almocei num pequeno restaurante, uma carne alentejana, é um prato que adoro. Depois caminhei á beira mar, fiz algumas fotos e filmei. As ondas estavam gigantes e muitos curiosos andavam por ali. Sentei-me naquele cantinho, distante do mar, num alto, estava bem, havia sol. Tinha algum tempo antes de voltar para casa e queria aproveitar meu ultimo dia de ferias. Um homen de camisola vermelha foi sentar-se não longe de mim e disse algumas palavras que não percebi devido ao barulho das ondas. Aproximou-se e perguntou se não me importava de ele se sentar ao pé de mim. Falou-me da solidão, que é viuvo há cinco anos e gostaria de encontrar alguem. Pensou que eu fosse viuva por ter uma camisola preta e reparou que estava triste. Depois falou sobre ele, tem três filhas, foi emigrante cinco anos na Alemanha e vinte e um ano na Suiça, Tem uma boa reforma, só que está sozinho e isso custa-lhe. Sente-se como um jovem de vinte o trinta anos. Gostaria de encontrar alguem como eu : elegante, bonita e achou que tinha um belo sorriso. E diz que precisa como nos todos de miminhos, carinho e amor. No fim já tanto de o ouvir e o frio chegando , levantei-me para ir embora. Pediu-me dois beijos de despedida, respondi-lhe que não dava. Ficou surprendido, perguntou porquê, respondi ; porque não. Disse que foi pena só me ter encontrado no meu ultimo dia de ferias. E eu pensei o contrario. Desejei-lhe que encontrasse essa mulher e ele desejou-me que seja feliz e tudo de bom. Naquele momento acordei. Afinal foi simplesmente um sonho.

Pura ficção...


sábado, 1 de fevereiro de 2014

Altzheimer : maldita doença !

Há três dias  entrou no meu serviço um homen de 83 anos, é português mas isso nem importa que seja português; é um homen de 83 anos. A mulher e a nora vieram o por ali porque a doença dele já não dava para que ele ficasse em casa. Ele aceitou em ir pensando que seria a mulher que ali ficaria. pois foi um imbroglio, e foi com uma mentira que conseguiram o ali deixar. Em três dias esse homen com o nome de Augusto está ali a viver um inferno, torturado pela a vida e a doença. "Desprezado" pela a familia. esse homen chegou a França em 1961, trabalhou, criou seu filho, foi reformado e apanhado pela aquela maldita doença : Altzheimer. So posso dizer que é uma doença horrivel. 

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

O Natal a porta...


O Natal foi sempre um dia cheio de magia. Deveria ser sempre aquele dia em que todas as crianças ficassem com os olhos a brilhar, alegres e  felizes. Quando era pequena esse Pai Natal sempre me decepcionou, nunca soube ler nos meus sonhos. Até cheguei a escrever-lhe para não se esquecer de mim. Mas ao final o resultado era sempre o mesmo.
Estes anos passados essa festa passou a ser muito comércial, sem espirito, ficou sem alma. Perdeu-se nos tempos e no coração dos homens e das crianças.
Com esta crise, vamos ter de fazer cortes, serão nos brinquedos, mas tambem no vestir e na comida. Será um Natal sem "trema" como diria aqui em França.
Vamos retornar aos tempos mais antigos...Vai ser uma festa triste para muitos.  Quero é que esse dia passe depressa; é sempre um periodo do ano dificil  a ultrapassar. A solidão se fera ainda muito mais sentir.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Duma vida so ficam lembranças e saudades do tempo passado.




Ele sempre disse que iria quando não tivesse escolha. Hoje seus filhos lhe anunciaram
que era amanha.
Em poucos dias, toda a sua vida se foi, sua vida fugiu dele o ele esta a fugir dela. Hoje saiu de casa, e andou a despedir se das vizinhas, dos vizinhos; pessoas conhecidas de sempre, com quem conviveu toda a sua vida.
Quando entra em casa, olha por todos os cantos sem fixar nenhum.
Não sabe o que levar na sua mala. Pois o que ele la queria meter não cabe la.
Seu cão ira para casa dum irmão.
Como ele era caçador, sua arma a deu ao seu filho também caçador.
Porque amanha, sua casa ele abandonera para sempre.
Esse homen é meu sogro.
Sua mulher foi hospitalizada e seu estado precisa de cuidados particulares.
Disse lhe para levar sobretudo todas as fotos que tem da familia e um jogo de cartas; pode ser que por la aja alguém que possa jogar com ele a bisca o a suéca.
Eles estão com 93 anos, 63 anos de casamento. E querem estarem juntos sempre.
Cada um faz parte do outro.