segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

SEM REMÉDIO - Florbela Espanca, em "Livro de Mágoas"

 

Aqueles que me têm muito amor

Não sabem o que sinto e o que sou ...

Não sabem que passou, um dia, a Dor

À minha porta e, nesse dia, entrou.

E é desde então que eu sinto este pavor,

Este frio que anda em mim, e que gelou

O que de bom me deu Nosso Senhor!

Se eu nem sei por onde ando e onde vou!!

Sinto os passos da Dor, essa cadência

Que é já tortura infinda, que é demência!

Que é já vontade doida de gritar!

E é sempre a mesma mágoa, o mesmo tédio,

A mesma angústia funda, sem remédio,

Andando atrás de mim, sem me largar!




1 comentário:

Mário Margaride disse...

Olá, amiga Lena.
Belo poema de Florbela Espanca aqui partilhas.
Sempre foi uma das minhas poetisas favoritas. Uma mulher que viveu e morreu por amor.

Deixo os votos de uma boa semana, com tudo de bom.

Beijinhos, com carinho e amizade.

Mário Margaride

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