quinta-feira, 20 de maio de 2010

Tenho tanto sentimento que...


Tenho tanto sentimento
Que é freqüente persuadir-me
De que sou sentimental,
Mas reconheço, ao medir-me,
Que tudo isso é pensamento,
Que não senti afinal.

    Temos, todos que vivemos,
    Uma vida que é vivida
    E outra vida que é pensada,
    E a única vida que temos
    É essa que é dividida
    Entre a verdadeira e a errada.

    Qual porém é a verdadeira
    E qual errada, ninguém
    Nos saberá explicar;
    E vivemos de maneira
    Que a vida que a gente tem
    É a que tem que pensar.

    Fernando Pessoa, 18-9-1933

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Primeira adaptação a uma nova vida


Como disse Platão

"O começo é a parte mais dificil do trabalho"

Belfort, abril 1967...
Pela as ruas, uma menina com ar vazio, perdido, vai caminhando para a escola.
Os primeiros dias escolares como se sabe são um grande momento na vida de toda criança.
Ali aconteceu bruscamente,
sem estar preparada a isso.
Desses tempos nunca voltei a falar, estavam metidos numa gaveta fechada.
Faziam parte daquilo a esquecer.
Reabri essa parte da memoria do passado.
Me revejo menina que era;
sento aquele ar fresco que batia na cara pela a manha,
caminhando para a escola, pasta na mão;
tremendo por dentro, não mostrando a ninguém a angústia, o medo.
Aqueles prédios todos cinzentos, sem cor, sem odor me acompanhavam e me gelavam. Durante as aulas claro que não percebia nada.
Era abril, o ano escolar estava quase a termo, os alunos sabiam ler, escrever.
Durante o recreio, encostava me a uma parede, olhando para eles brincando, rindo, falando forte : estavam felizes de estar entre eles.
No meu cantinho a solidão pesava sobre meus ombros, a tristeza me invadia. Nesse momento pensava no sol do meu Portugal, nas amigas que la tinha e nas nossas brincadeiras. Uma delas era correr descalça, gostava de sentir meus pés na terra; enquanto agora tinha de usar sapatos...sempre.
Estava em França, na cidade de Belfort.
Tinha de me adpatar aquela vida e vila.
Era quinta feira da primeira semana escolar, sai de casa, ainda parece que foi ontem; o tempo estava fresco e escuro, sintia me tão pequena no meio daquela avenida
e estranho não via ninguém com a pasta.
O já ia atrazada o cedo demais, como saber ?
Tinha medo de voltar para casa, não queria criar problemas aos meus pais.
Cheguei a escola as portas estavam fechadas e la consegui comprender que aquele dia era dia de folga.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Frases em palavras


Escrever parece simples, mas torna se complicado.
Frente a esta página branca, minhas ideias misturam se,
não sabem se devem sair em francês o em português.
Sou eu de as dirigir, pois as ideias são minhas, não delas.
Estou de novo a embrulhar me.
E meus dedos que são eles ?
São escravos mandados pelo meu cérebro,
devem obedecerem me.
Meus olhos vão os guiando, e minha mente vai aceitando mais ao menos o que vê escrito.
Algo dentro de mim, por vezes sorri ao ler estas frases;
por vezes deixa cair lágrimas
quando as palavras estão a ser tristes demais e tocam o coração do lado mais sensível.
Bom, posso ir postar estas linhas...Consegui escrever alguma coisa.
Amanha tentarei escrever melhor e mais sentido.
Hoje tinha de ser algo de ligeiro,
pois tudo a minha volta está triste como o tempo.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

27 de abril 1967...cheguei a França sem saber,..


Faz 43 anos, sai de Portugal. Emigrei sem saber, sem querer, sem comprender …tinha 6 anos.

Meu pai, depois de ter ficado sozinho 8 mêses, fui buscar nos, minha mãe, meu irmão com 1 ano de idade e eu. Ainda me lembro dessa viagen de comboio. Nossas malas e sacos, meu irmão mal andava, tinha de andar o colo..imaginem, minha mãe com uma mala dum lado e meu irmão o colo do outro, meu pai também carregado e eu ali no meio sem saber o que estava a acontecer…o mais complicado era as mudanças de comboio e em Paris..tivemos de mudar de estação..

Na estação de Bordeus, chegamos la de manhazinha, fomos muito bém acolhidos, pessoas vinham a nos com pequenos almoços : leite, café, chocolate e croissants..

Me lembro também dum momento inesquecivel, foi um momento de grande medo…meus pais tinham nos metido num comboio enquando foram buscar todas nossas coisas, o comboio começou a ir embora e eles sem chegarem perto de nos…foi a vez que mais gostei de os ver aparecer…foi o grande mêdo da minha vida.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Puzzle



Apanhei meus bocados do chão
p'ra tentar reconstruir este corpo com a mente
Peguei um a um
ensaiando de arrumar cada um no seu lugar
Estou como aquele puzzle desfeito
prefiro o deixar assim...desfeito
agarrando uma peça quando preciso
Não o quero reconstruir
Construi-lo pede força e énergia
e tenho medo que ele se desfaça outra vez
Uma parte de mim deixou de ser...
morreu naquele turbilhão da vida.

terça-feira, 20 de abril de 2010

álvaro oliveira ..."Manto de Sombras"...



Meu amigo álvaro oliveira do blog "Os dias Imprecisos" vai apresentar seu novo livro "Manto de Sombras" na proxima semana, dia 28 de abril pelas 21h30 em Braga na Feira do livro.

A primeira apresentação pública deste romance
é no dia 28 de Abril, quarta-feira, pelas 21,30 h
tendo como palco a Feira do Livro em Braga

A sessão será presidida pelo escritor João Lobo
que fará uma abordagem crítica à obra apresentada.

As Edições Calígrafo e o autor Álvaro de Oliveira
têm a honra de convidar V Exas a participar neste evento.

Se tiverem a oportunidade, não faltem.......

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Amor


Ao luar da noite


No infinito da constelação


Com a tinta dos teus olhos


Escrevi teu nome

terça-feira, 6 de abril de 2010

Dá-me a tua mão



Dá-me a tua mão: vou agora te contar
como entrei no inexpressivo
que sempre foi a minha busca cega e secreta.
De como entrei naquilo que existe
entre o número um e o número dois,
de como vi a linha de mistério e fogo
e que é a linha sub-reptícia.

Entre duas notas de música existe uma nota,
entre dois fatos existe um fato,
entre dois grãos de areia por mais juntos que estejam
existe um intervalo de espaço,
existe um sentir que é entre o sentir
- nos interstícios da matéria primordial
está a linha de mistério e fogo,
que é a respiração do mundo,
e a respiração contínua do mundo
é aquilo que ouvimos
e chamamos de silêncio.

Miguel Torga

quinta-feira, 1 de abril de 2010

De regresso... depois de uns dias a beira mar...



Dum voo, fui parar ao de cima desta falésia, levei tempo a perceber que era ali onde iria criar meu ninho...

E da falésia pelo o ascensor, adoro vir mergulhar aqui neste cantinho...que estaja sol, frio o vento; venho sempre ali parar.

Uma nespereira plantada pelo meu pai, 25 anos atrás...frente a minha casa entre os montes, no meio dos campos.

E depois de uma tarde a beira mar, venho sempre parar na pastelaria "Batel"...matar meu desejo por esta gulosice...e por culpa dela, agora estou de regime...hoje pesei me e acho que a balança devia estar avariada.

Eu sei que me repito, mas que hei-de-fazer, as saudades desta Nazaré são demais...

quarta-feira, 17 de março de 2010

Primavera


Do passado só ficaram cinzas
mandei-as ao ar
levou-as o vento
soprei nelas fortemente
desapareceram do meu alento...
Delas nada renascera.

Com este primeiro raio de sol
meu jardim refloresce
um sorriso já se desenha
nesta flor a rebentar
breve com amor e carinho
nela as cores vão resplandescer

Um mundo novo me espera
neste caminho que se abre a minha frente
vou andando...


Para já vou ir até ao meu Mar
vos deixo um montinho de beijinhos
para vocês, amigos
que vão dando tanta força...

Até breve !!!!

segunda-feira, 15 de março de 2010

"A saudade"


Há muito, que não sabia
O que é ter a alegria
De a minha terra voltar
Ver a praia, o paradão
E, ver o céu e o mar

Ver o farol, o Guilhim
O promontório também
Oh! Que saudade eu tinha
A minha terra não vinha
Nazaré, oh! Terra Mãe!

Pôr os pés na minha areia
E molhá-los no meu mar
Passear no paredão
Sempre olhando o promontório
Vendo a imensidão sem par

Olho a terra onde nasci
Com amor, é tudo meu!...
Estou feliz por estar aqui...
Nazaré, noiva branquinha
Es azul de mar e céu

Sai daqui bém pequeno
Ja viste como cresci ?
Mas vou dizer-te um segredo:
Eu penso o mesmo de ti!...

Francelina, 2005
Como a Nazaré cresceu!...

sábado, 13 de março de 2010

Jean Ferrat nos deixou hoje


Jean Ferrat - La Montagne - Watch more Videos at Vodpod.

Ils quittent un à un le pays
Pour s'en aller gagner leur vie
Loin de la terre où ils sont nés
Depuis longtemps ils en rêvaient
De la ville et de ses secrets
Du formica et du ciné
Les vieux, ça n'était pas original
Quand ils s'essuyaient machinal
D'un revers de manche les lèvres
Mais ils savaient tous à propos
Tuer la caille ou le perdreau
Et manger la tome de chèvre

Pourtant que la montagne est belle
Comment peut-on s'imaginer
En voyant un vol d'hirondelles
Que l'automne vient d'arriver?

Avec leurs mains dessus leurs têtes
Ils avaient monté des murettes
Jusqu'au sommet de la colline
Qu'importent les jours, les années
Ils avaient tous l'âme bien née
Noueuse comme un pied de vigne
Les vignes, elles courent dans la forêt
Le vin ne sera plus tiré
C'était une horrible piquette
Mais il faisait des centenaires
A ne plus savoir qu'en faire
S'il ne vous tournait pas la tête

Pourtant que la montagne est belle
Comment peut-on s'imaginer
En voyant un vol d'hirondelles
Que l'automne vient d'arriver?

Deux chèvres et puis quelques moutons
Une année bonne et l'autre non
Et sans vacances et sans sorties
Les filles veulent aller au bal
Il n'y a rien de plus normal
Que de vouloir vivre sa vie
Leur vie, ils seront flics ou fonctionnaires
De quoi attendre sans s'en faire
Que l'heure de la retraite sonne
Il faut savoir ce que l'on aime
Et rentrer dans son H.L.M.
Manger du poulet aux hormones

Pourtant que la montagne est belle
Comment peut-on s'imaginer
En voyant un vol d'hirondelles
Que l'automne vient d'arriver?