segunda-feira, 26 de abril de 2010

27 de abril 1967...cheguei a França sem saber,..


Faz 43 anos, sai de Portugal. Emigrei sem saber, sem querer, sem comprender …tinha 6 anos.

Meu pai, depois de ter ficado sozinho 8 mêses, fui buscar nos, minha mãe, meu irmão com 1 ano de idade e eu. Ainda me lembro dessa viagen de comboio. Nossas malas e sacos, meu irmão mal andava, tinha de andar o colo..imaginem, minha mãe com uma mala dum lado e meu irmão o colo do outro, meu pai também carregado e eu ali no meio sem saber o que estava a acontecer…o mais complicado era as mudanças de comboio e em Paris..tivemos de mudar de estação..

Na estação de Bordeus, chegamos la de manhazinha, fomos muito bém acolhidos, pessoas vinham a nos com pequenos almoços : leite, café, chocolate e croissants..

Me lembro também dum momento inesquecivel, foi um momento de grande medo…meus pais tinham nos metido num comboio enquando foram buscar todas nossas coisas, o comboio começou a ir embora e eles sem chegarem perto de nos…foi a vez que mais gostei de os ver aparecer…foi o grande mêdo da minha vida.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Puzzle



Apanhei meus bocados do chão
p'ra tentar reconstruir este corpo com a mente
Peguei um a um
ensaiando de arrumar cada um no seu lugar
Estou como aquele puzzle desfeito
prefiro o deixar assim...desfeito
agarrando uma peça quando preciso
Não o quero reconstruir
Construi-lo pede força e énergia
e tenho medo que ele se desfaça outra vez
Uma parte de mim deixou de ser...
morreu naquele turbilhão da vida.

terça-feira, 20 de abril de 2010

álvaro oliveira ..."Manto de Sombras"...



Meu amigo álvaro oliveira do blog "Os dias Imprecisos" vai apresentar seu novo livro "Manto de Sombras" na proxima semana, dia 28 de abril pelas 21h30 em Braga na Feira do livro.

A primeira apresentação pública deste romance
é no dia 28 de Abril, quarta-feira, pelas 21,30 h
tendo como palco a Feira do Livro em Braga

A sessão será presidida pelo escritor João Lobo
que fará uma abordagem crítica à obra apresentada.

As Edições Calígrafo e o autor Álvaro de Oliveira
têm a honra de convidar V Exas a participar neste evento.

Se tiverem a oportunidade, não faltem.......

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Amor


Ao luar da noite


No infinito da constelação


Com a tinta dos teus olhos


Escrevi teu nome

terça-feira, 6 de abril de 2010

Dá-me a tua mão



Dá-me a tua mão: vou agora te contar
como entrei no inexpressivo
que sempre foi a minha busca cega e secreta.
De como entrei naquilo que existe
entre o número um e o número dois,
de como vi a linha de mistério e fogo
e que é a linha sub-reptícia.

Entre duas notas de música existe uma nota,
entre dois fatos existe um fato,
entre dois grãos de areia por mais juntos que estejam
existe um intervalo de espaço,
existe um sentir que é entre o sentir
- nos interstícios da matéria primordial
está a linha de mistério e fogo,
que é a respiração do mundo,
e a respiração contínua do mundo
é aquilo que ouvimos
e chamamos de silêncio.

Miguel Torga

quinta-feira, 1 de abril de 2010

De regresso... depois de uns dias a beira mar...



Dum voo, fui parar ao de cima desta falésia, levei tempo a perceber que era ali onde iria criar meu ninho...

E da falésia pelo o ascensor, adoro vir mergulhar aqui neste cantinho...que estaja sol, frio o vento; venho sempre ali parar.

Uma nespereira plantada pelo meu pai, 25 anos atrás...frente a minha casa entre os montes, no meio dos campos.

E depois de uma tarde a beira mar, venho sempre parar na pastelaria "Batel"...matar meu desejo por esta gulosice...e por culpa dela, agora estou de regime...hoje pesei me e acho que a balança devia estar avariada.

Eu sei que me repito, mas que hei-de-fazer, as saudades desta Nazaré são demais...

quarta-feira, 17 de março de 2010

Primavera


Do passado só ficaram cinzas
mandei-as ao ar
levou-as o vento
soprei nelas fortemente
desapareceram do meu alento...
Delas nada renascera.

Com este primeiro raio de sol
meu jardim refloresce
um sorriso já se desenha
nesta flor a rebentar
breve com amor e carinho
nela as cores vão resplandescer

Um mundo novo me espera
neste caminho que se abre a minha frente
vou andando...


Para já vou ir até ao meu Mar
vos deixo um montinho de beijinhos
para vocês, amigos
que vão dando tanta força...

Até breve !!!!

segunda-feira, 15 de março de 2010

"A saudade"


Há muito, que não sabia
O que é ter a alegria
De a minha terra voltar
Ver a praia, o paradão
E, ver o céu e o mar

Ver o farol, o Guilhim
O promontório também
Oh! Que saudade eu tinha
A minha terra não vinha
Nazaré, oh! Terra Mãe!

Pôr os pés na minha areia
E molhá-los no meu mar
Passear no paredão
Sempre olhando o promontório
Vendo a imensidão sem par

Olho a terra onde nasci
Com amor, é tudo meu!...
Estou feliz por estar aqui...
Nazaré, noiva branquinha
Es azul de mar e céu

Sai daqui bém pequeno
Ja viste como cresci ?
Mas vou dizer-te um segredo:
Eu penso o mesmo de ti!...

Francelina, 2005
Como a Nazaré cresceu!...

sábado, 13 de março de 2010

Jean Ferrat nos deixou hoje


Jean Ferrat - La Montagne - Watch more Videos at Vodpod.

Ils quittent un à un le pays
Pour s'en aller gagner leur vie
Loin de la terre où ils sont nés
Depuis longtemps ils en rêvaient
De la ville et de ses secrets
Du formica et du ciné
Les vieux, ça n'était pas original
Quand ils s'essuyaient machinal
D'un revers de manche les lèvres
Mais ils savaient tous à propos
Tuer la caille ou le perdreau
Et manger la tome de chèvre

Pourtant que la montagne est belle
Comment peut-on s'imaginer
En voyant un vol d'hirondelles
Que l'automne vient d'arriver?

Avec leurs mains dessus leurs têtes
Ils avaient monté des murettes
Jusqu'au sommet de la colline
Qu'importent les jours, les années
Ils avaient tous l'âme bien née
Noueuse comme un pied de vigne
Les vignes, elles courent dans la forêt
Le vin ne sera plus tiré
C'était une horrible piquette
Mais il faisait des centenaires
A ne plus savoir qu'en faire
S'il ne vous tournait pas la tête

Pourtant que la montagne est belle
Comment peut-on s'imaginer
En voyant un vol d'hirondelles
Que l'automne vient d'arriver?

Deux chèvres et puis quelques moutons
Une année bonne et l'autre non
Et sans vacances et sans sorties
Les filles veulent aller au bal
Il n'y a rien de plus normal
Que de vouloir vivre sa vie
Leur vie, ils seront flics ou fonctionnaires
De quoi attendre sans s'en faire
Que l'heure de la retraite sonne
Il faut savoir ce que l'on aime
Et rentrer dans son H.L.M.
Manger du poulet aux hormones

Pourtant que la montagne est belle
Comment peut-on s'imaginer
En voyant un vol d'hirondelles
Que l'automne vient d'arriver?

sexta-feira, 12 de março de 2010

Te contarei...


Te contarei meu mar
te contarei fados e traições
silencios ignorados
despedidas rasgadas
vidas estragadas
sitios desprezados
palavras rugosas
Te contarei meu mar
Te contarei.

Estou chegando meu A/Mar
quero abraçar te
em ti deixar mergulhar
todas as amarguras
todo este azedo em mim
Es o meu A/Mar
fiel e sempre presente
comprendes me
sinto te
acaricia minha pele
com tua maresia
e no bater das ondas
embala este coração férido

terça-feira, 9 de março de 2010

Chove. Que fiz eu da vida? Fiz o que ela fez de mim...


Chove. Que fiz eu da vida?
Fiz o que ela fez de mim...
De pensada, mal vivida...
Triste de quem é assim!

Numa angústia sem remédio
Tenho febre na alma, e, ao ser,
Tenho saudade, entre o tédio,
Só do que nunca quis ter...

Quem eu pudera ter sido,
Que é dele? Entre ódios pequenos
De mim, 'stou de mim partido.
Se ao menos chovesse menos!

Fernando Pessoa, 23-10-1931

domingo, 7 de março de 2010