terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Meu Natal de menina...

Depois das férias, o Natal chegava bem depressa. Sempre foi um período um pouco especial. Dos primeiros anos, em Portugal, só me lembro de pôr o meu sapatinho ao pé da lareira. Para que durante a noite o "Menino Jesus" viesse depositar alguma prenda que, naquela altura, consistia em algo de roupa ou fruta.
Depois, em França, o meu pai fazia um presépio, como era de tradição em Portugal, que mais tarde passou a ser um pinheiro adornado de bolinhas e grinaldas. Deixou de ser o Menino Jesus para ser o Pai Natal. Esta alteração não fez com que aumentasse o número nem a qualidade das prendas. Os supermercados estavam repletos de brinquedos,
chocolates; havia muito de tudo.
Nos dias que antecediam a Festa, sonhava e desejava que esse Pai Natal fosse mais generoso comigo. Tentava fazer o máximo para que me considerasse uma boa menina, sendo aplicada na escola, ajudando à minha mãe nos trabalhos da casa, mas os resultados acabavam por fazer com que me sentisse desgostosa, mas sem me manifestar. Acabava por aceitar que o Pai Natal não podia ser tão generoso com todas as crianças. Tampouco lograva compreender como outras tinham tanto. Parecia-me injusto. Mas o Natal era bem mais do que isso. Na consoada comíamos o bacalhau com as couves. E o que mais gostava nesse dia era ajudar o meu pai a fazer as filhoses logo a seguir ao jantar. Enquanto ele as metia no azeite, eu ia-as untando com açúcar e canela. Antes de irmos dormir bebíamos um café com uma filhó quentinha.

7 comentários:

Mar Arável disse...

Um dia seremos de novo crianças

mas com memórias

Tio Nano disse...

Bonito texto. Para a infância tudo nos parece um paraíso. O Natal é uma das partes mais bonitas desse paraíso. Com o tempo depressa toda a inocência se perde e o mundo se abate sobre nós com brutalidade. Muitas vezes perde-se a esperança e temos vontade de desistir. Urge preservar e acreditar que um outro mundo é possível. E lutar por ele. Neste Natal a palavra de ordem é, pois, não desistir nunca. Um Bom Natal!

poetaeusou . . . disse...

*
Amiga,
,
uma Quadra Feliz,
entre ondas de Saúde,
desejo-te.

Luzentes Conchinhas,
ficam .
*

Por que você faz poema? disse...

Sou ainda mais triste durante o Natal,
inevitavelmente.

Duarte disse...

3619 unutilAssim, tão bem contado, quanto emociona!!!
Voltei Pedras Rubras e às Guardeiras...

AS CORES DO NATAL

É Natal!
Dita-o a natureza.
O verde converteu-se em ouro.
Folhagem dourada pelo tempo
Enche o caminho de ocres.
São lágrimas caídas do céu
Enchendo-nos de riquezas,
Naturais como elas mesmas.
Provocando emoções
Que o meu coração encolhe...

Bom Natal com um grande abraço, querida amiga

Nilson Barcelli disse...

O Natal mudou muito...
Mas ainda é a festa da família.

Lena, espero que o teu Natal tenha sido muito Feliz e desejo que o teu novo ano seja excelente.

Beijinhos.

Lídia disse...

Passei e entrei!!!
Li seu texto, também os meus Natais era parecidos, só que sendo eu a mais velha de cinco irmãs, bem sedo fui eu a trabalhar, e compras uns ratinhos de chocolate, com rabinhos e tudo... para lhes por no sapatinho!!!

1 beijo Lídia